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23/01/2013 17h31

Lugar de empreendedor é na cadeia

Sávio Hermes Sávio Hermes
Advogado e Escritor.

A criminalidade e seus aspectos sociais e econômicos vêm ocupando muito o espaço no cotidiano da população, seja através da imprensa, seja através da conversa de elevador, uma vez que o clima está ameno, resta o assunto sobre as notícias das páginas policiais.

E proseando com um amigo, que estava em ritmo de férias, sorvendo aquele amargo no final de uma tarde de verão, comentei que achava absurdo que para todas as implicações criminosas, a solução alardeada por todos os meios era a prisão do delinquente.

Meu ouvinte saltou, quase engasgou com o mate quente, mas antes que ele cuspisse o chimarrão, acalmei-o dizendo que, se não em tudo, ao menos em parte, entendia que a prisão não seria o caminho mais interessante, deveras o custo de manutenção de um detento e também da pouca possibilidade de ressocialização ou mesmo reinserção, neste mundo vendido como normal em que vivemos.

Isto me ocorreu pelo fato de que, desde sempre, não sei se por fantasia ou realidade li matérias sobre a captura de hackers, nos EUA, onde ao invés da prisão estes criminosos eram encaminhados para trabalhar em setores de segurança de sistema, em organismos como a NASA. Opa, mas e a cadeia e o cumprimento de pena, a aplicação da lei e tudo mais?

Agora, encaremos a situação. Se o cidadão consegue amealhar um número determinado de pessoas para durante cinco ou seis meses pensarem um crime. Observarem a rotina, estudar rotas de fuga, hábitos, pessoas que se aproximam da suposta vítima e por fim realizar o delito. Detalhe, não tem anotação da carteira de trabalho, não tem recolhimento de FGTS, não tem pagamento de previdência e oferece alto risco, seja de morte ou de prisão.

Se este cidadão consegue fazer tudo isto fora da lei, dentro de um alto nível de pressão, estresse e detalhes minuciosos para o sucesso da operação, será que se fosse oferecido para este mesmo cidadão uma estrutura legal, com aporte financeiro, este empresário não poderia utilizar seu empreendedorismo para fazer algo efetivamente relevante para a coletividade?

Ou ainda, não estaria esta pessoa, a exemplo de uma criança que disputa atenção, querendo mostrar que o sistema é falho, não oferece condições para todos e ninguém lhe dá atenção? Como dito, cada caso é um caso, mas em muitas situações vemos um nível de organização que não existe na sociedade livre.

Não convenci o meu amigo, com meus argumentos, mesmo que ele tenha tomado uns três mates seguidos. Mas considero algo a ser pensado, não com um ufanismo, mas como uma alternativa, algo como instalar um balcão do SEBRAE dentro do presídio e dar a devida atenção para quem tem capacidade, tornado o empreendedorismo uma virtude e não um crime.

 

Imagem Ilustrativa. Imagem Ilustrativa.

Este artigo é de responsabilidade exclusiva do seu autor, não representando necessariamente a opinião do portal.

 

Comentários

Este é um ótimo debate Sávio, parabéns. Tem muito talento nos cárceres brasileiros, em todas as áreas.

Vanessa - 29/01/2013 14h37

 

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