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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Dicas

Sniper Americano (American Sniper, 2014)

Sniper Americano (American Sniper, 2014)
É óbvio que o último filme de Clint Eastwood estreou cercado de “polêmicas” que vão de reclamações do patriotismo do cineasta à acusações de xenofobia e fascismo, passando claro pelo inevitável ataque ao alçamento de um assassino de centenas de pessoas, entre as quais mulheres e crianças, ao posto de herói nacional. E isso é óbvio por duas razões: 1) já vimos isso acontecer antes em outras produções americanas passadas em tempos de guerra e 2) é muito mais fácil analisar uma obra como Sniper Americano apenas pela superfície. É muito mais fácil encarar que o mesmo homem por trás de Invictus, Menina de Ouro, Os Imperdoáveis, Gran Torino e tantas outras tão cheias de humanismo simplesmente surtou e vomitou uma espécie de O Orgulho da Nação – sim, já tivemos pessoas comparando a obra de Eastwood com o filme exibido à Hitler em Bastardos Inglórios. Mas é ao ver que a Guerra do Iraque é só pano de fundo para Eastwood e o roteiro de Jason Dean Hall – adaptado do livro do verdadeiro Chris Kyle – mergulharem fundo em um personagem fascinante que Sniper Americano revela suas verdadeiras intenções. E assim também suas qualidades. E defeitos, claro, pois não está isento deles.

O personagem-título é o Chris Kyle de Bradley Cooper, indicado ao Oscar de Melhor Ator desse ano, considerado o atirador mais mortal que a Marinha dos Estados Unidos já teve, uma verdadeira lenda para seus companheiros e compatriotas. Ainda pequeno Kyle foi educado por seu pai para encontrar sua posição ideal em um mundo delimitado entre bons, maus e aqueles que são maus para proteger os bons – as ovelhas, os lobos e os cães pastores -, sendo assim, não surpreende que o protagonista pareça ter nascido para servir seu país, que após o 11 de Setembro, presenciado com perplexidade pelo personagem de Cooper, colocou respectivamente nas posições de ovelha, lobo e cão pastor sua nação, os iraquianos e as próprias forças armadas. Daí ao ser questionado sobre todas as centenas de mortes que provocou com seus tiros certeiros o personagem dizer que tem consciência do que fez e que aguarda o dia que ficará em frente ao seu Criador e justificará cada disparo. Para Kyle ele PRECISA fazer aquilo. PRECISA proteger seus companheiros tirando a vida de quem se atravessasse em seu caminho. Não é Eastwood justificando os atos de um assassino, mas do próprio homem justificando-os por não considerar-se como tal. E como culpa-lo? Ele fez o que foi treinado para fazer, oras. Treinado por seus superiores, por uma mídia que defendeu e propagou uma guerra ao terror sem justificativas e mesmo por um pai com visão de mundo torta que achou adequado ensinar o filho a enxergar tudo preto no branco.

Não que Kyle seja visto como um pobre coitado resultado do mundo à sua volta. Para além das mortes provocadas por ele, o personagem é ao menos culpado certamente de uma ingenuidade assustadora ao vociferar contra a ameaça representada pelos “selvagens” iraquianos e por idealizar usa importância na guerra, como se fosse o único capaz de proteger seus companheiros – de farda e de nação. E Eastwood e o roteiro de Hall não hesita em mostrar isso em no mínimo três oportunidades: um diálogo entre Chris e o irmão mais novo em solo iraquiano, e os diálogos entre ele e um companheiro e, já perto fim, com a esposa (Sienna Miller). E aí sim a coisa parece sair um pouco do micro representado pelo protagonista e torna-se um dedo na ferida do macro, representado por boa parte da sociedade norte-americana pós-11 de setembro.

Dito isso, Kyle é um personagem que se aproxima daqueles tão marcantemente vividos por Eastwood: um homem que deciframos através de suas ações, não dos diálogos. Assim, se pouco sabemos daquela figura de poucas palavras através de suas interações com a esposa – e aqui vale dizer que o grande problema do roteiro é a velocidade exagerada que a relação entre Chris e sua esposa, Taya, é desenvolvida, tornando a personagem de Miller um peso morto em boa parte da narrativa que parece estar lá apenas para ocupar a vaga de “esposa do protagonista que aguarda sua volta ao lar”, tão comum nos filmes de guerra - ou companheiros da Marinha, o conhecemos em atos que dizem muito sobre sua visão de si e do mundo à sua volta. Aí entra também o interesse de Eastwood em investigar as sequelas da volta ao lar após testemunhar uma guerra. Sequelas que nem sempre são físicas, mas ao destruirem psicologicamente jovens soldados se revelam tão ou mais sofridas. Daí surgem dois dos momentos mais memoráveis da produção: o contraste da maneira como Kyle trata um cachorro em território inimigo e como trata seu próprio animal, em casa. E claro, o plano sensacional em que acompanhos o personagem sentado em frente à televisão com o som ensurdecedor de bombardeios e tiros apenas para Eastwood nos revelar em um movimento de câmera que o aparelho se encontra desligado e o que ouvimos é a mente do protagonista, ainda presa na guerra. Dois momentos que apenas nos lembram que é um gênio que está na direção.

Sim, aqui e ali as cenas de ação, sempre bem conduzidas por Eastwood, se tornam repetitivas, acabando por criar uma sensação de enfado no espectador, mas ao fim da projeção, novamente o cineasta nos lembra por que é um dos maiores nomes em atividade – e de todos os tempos, por que não? – ao encerrar de maneira inesperada e direta a trajetória de Chris Kyle, que mau, bom ou feio, era uma lenda e encontrou seu fim não no campo de batalhas que fizeram seu nome, mas na pátria que o forjou e que ele jurou sempre defender. Encontrou seu fim não pelas mãos de um sniper tão mortal quanto ele, mas pelas de um companheiro de fardas, logo após se despedir da esposa e filhos.

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes


Fonte: http://dicadefilme.com.br

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